Conte sua História 07jun

O dia que eu malhei de top

Postado por Marcela Paim

Esse título pode até parecer aquelas chamadas antigas do EGO como ” Caetano estaciona carro no Leblon nesta quinta-feira”, mas é muito mais do que isso. O dia que eu malhei de top foi o dia que eu me senti dona do meu corpo de novo.

Esse dia foi hoje e demorou 10 anos para acontecer, você acredita? E não foi nada premeditado, encorajado ou até mesmo pensado. Quando eu vi eu simplesmente tirei a blusa pelo calor e estava lá nas areias de Ipanema de calça e top.

Mas essa história começa alguns (booons!) anos antes. Eu nunca fui uma criança ou adolescente gordinha, pelo contrário, sempre fui mais magra, dançava muito e não parava quieta, além disso a alimentação na minha casa sempre foi mais natural e isso me ajudava.

Mas ao fazer 17,18 anos, comecei a passar o dia no pré-vestibular e almoçar por lá…e tinha muita picanha na brasa, arroz, batata frita, refri e aquela farofinha para arrematar. Eram horas de estudos, e lanchava por lá qualquer coisa que tivesse na cantina e até então tudo bem. Aí passei no vestibular, escolhi o segundo semestre e fui para o Canadá estudar inglês por 3 meses com o meu namorado da época. E aí o barraco desabou…

Era saudade de casa, com frio, com um mundo de novas possibilidades, e os fast foods (que até então não enchiam meus olhos) em todo lugar. Foram só 3 meses, mas eu ganhei 16 quilos! D-e-z-e-s-s-e-i-s! Eu não sabia disso quando estava no Canadá. Eu na verdade não fazia a menor idéia.

Não sei se você já ficou em um lugar bem frio por algum tempo, mas lá a gente usava várias roupas em sobreposição, um casaco imenso por cima e principalmente comprava roupas novas e não tinha essa coisa de mostrar o corpo como aqui. E eu realmente não sabia como eu estava acima do meu peso.

Quando cheguei no Rio, as roupas não cabiam e eu tive que comprar algumas peças e realmente entender o que estava acontecendo. Procurei logo ajuda, comecei uma dieta com uma nutricionista super conceituada do Rio e achei que seria uma fase. Não foi.

Além de mudar o guarda-roupa, esses dezesseis quilos a mais mudaram a minha personalidade, o meu modo de me colocar, de me sentir livre, de me ver. Eu nunca fui uma pessoa de experimentar mil roupas antes de sair, aliás, sou mega prática nesse quesito, mas comecei a ver que eu estava me “cobrindo “cada vez mais, criando barreiras para mim mesma. Buscando roupas mais largas, fugindo da visão do que era meu corpo agora.

De lá pra cá , foram-se 11 anos (WOW!), muitas dietas “da moda”, treinos diferentes, quilos a menos (e a mais!), mas principalmente uma eterna incompreensão de quem eu era e o que “eu podia” com esse novo corpo. Era como se ele não me pertencesse. Fosse um empréstimo, sei lá… E ficava sempre inadequado, fora da moda, sem jeito….

Isso nunca foi claro para mim, acho que nunca falei abertamente sobre isso, mas estava lá, aquele diabinho no ombro, sabe?

Hoje quando estava treinando com o meu noivo na praia, 7:30 da manhã, em um dia lindo de viver, quando eu vi eu tirei a blusa. E lá estava eu, correndo de top para quem quisesse e pudesse ver. E assim fiquei no treino, assim fiz meu stories para o Instagram, assim voltei para casa e ninguém morreu! rs Pelo menos não que eu saiba ! =P

Mas brincadeiras à parte, foi um reencontro meu com o meu corpo.

E olha, estou longe do corpo que eu tinha e do que eu quero ter…já se foram 13 quilos nesses últimos meses, mas ainda quero mais…mas hoje não teve julgamento (ou a minha idéia de que alguém iria julgar), censura, quilos a mais e inadequação que me parassem. Eu estava lá feliz, dona do meu corpo, fazendo exercício na praia e só isso importava.

Ahhh e isso me deu um poder que você não faz idéia.

Gostar de si e ampliar a sua auto-estima, não tem haver com se largar. Tem haver com se amar, se aceitar, se cuidar, e principalmente tomar as rédeas de um corpo e uma vida que são só suas.

A gente inevitavelmente se influencia por inúmeras referências e modelos que quase sem perceber acompanhamos diariamente, mas de que adianta?

Não vai ser perfeito, e se fosse que graça teria…não é mesmo?

Então vou continuar aqui correndo atrás de ter uma vida mais saudável, mais leve, mais feliz, e sim, de perder os quilos que ainda quero perder porque eu quero…e não porque preciso me sentir algo que não sou.

Ah, e nesse processo todo, já marquei um mergulho no mar no final do próximo treino…Afinal, você viu que dia lindo que está fazendo?! 

 

Bjs, Marcela Paim