Conte sua História 24mar

O dia que eu perdi minha aliança

Postado por Marcela Paim

O dia que eu perdi minha aliança não foi só um dia. Foi uma virada de chave. Foi uma mudança na cabeça e no coração.

Tá, vou começar do início…Fui gravar a receita de pão low carb pro canal do Youtube do Noivas na Medida e para fazer a massa e tudo mais, tirei a aliança e o anel de noivado para não correr risco de arranhar, sujar, etc e tal. Coloquei a aliança e o anel na carteira em um bolsinho pequeno e que eu sempre uso para guardar miudezas. Normal.

Gravação encerrada, noivo em casa, jantar, Netflix, dormi e esqueci de recolocar a aliança. Tudo bem, amanhã coloco.

No dia seguinte acordei correndo para uma reunião e peguei um taxi! Eu NUNCA pego taxi de rua…mas nesse dia precisei. E provavelmente ao tirar o dinheiro da carteira para pagar o motorista…lá se foram os anéis.

taxi-noivasnamedida

Demorei a perceber, aliás , horas…procurei em casa , na bolsa, na lixeira do prédio (real!), chorei, desesperei, rezei, pedi pra São Longuinho, até lembrar do maldito taxi. Que raiva! Chorei mais e me arrependi mil vezes de ter tirado, mas fazer o que?!

Em determinado momento de lucidez mental, resolvi pensar como eu podia resolver aquilo em vez de ficar sofrendo por uma coisa que eu não podia fazer mais nada para mudar. E nesse momento de clareza eu entendi que isso se refletia a uma porção de coisas que estavam acontecendo na minha vida.

Foi então que enfiei uma roupa, mesmo coma maquiagem borrada do chororô, fui a um shopping, comprei a aliança e o anel de noivado de novo (com muita dor no coração!), voltei pra casa e resolvi que tinha algumas tarefas que eu podia fazer para aliviar uma porção de “sapos” da minha vida que vinham me atormentando.

Sentei no computador, respondi uma porção de gente que eu estava deixando no botão de “daqui a pouco eu vejo isso!”, organizei as compras da casa, fiz a limpa real no armário (Quem nunca?!), organizei minhas finanças, e abri espaço para as coisas boas chegarem. Determinei com o noivo umas regras de horário de dormir/acordar que  a gente vinha burlando há tempos, coloquei a planilha de treinos/alimentação em dia e fui dormir feliz. Leve.

Hoje acordei cedo e fui na praia correr antes do meu treino de sexta. Não foi só ir lá e correr, foi conseguir realizar 3 mini-metas em um dia. Uma sensação de vida, de dever cumprido.

“Eu moro tão pertinho da praia, porque eu não faço isso todo dia?” eu pensei durante todo o trajeto. Via as pessoas queimadas, felizes, suadas, vivas e pensava que eu me sentia mais forte ali. “Como o sol faz falta, como poder estar aqui é um privilégio. “

Correr me leva a pensamentos bem profundos, parece que é um momento de auto-reflexão único.

“Por que as tarefas quando são “para os outros” sempre entram na minha lista de prioridades?”

“Por que eu não me permitia nos meus dias fazer algo por mim , para me cuidar, para olhar pra minha saúde também?”

Enfim, um novo caminho se abriu de um problema chato, mas simples. Mas que me deu uma nova visão da minha vida, dos meus valores.

Bens materiais são feitos para agradar a gente, mas não nos sustentam. Por maior valor emocional que as alianças tenham, eu não podia fazer mais nada para achá-las. Para que continuar sofrendo? Então fui, levantei a poeira e comecei a ver coisas que eu podia simplesmente marcar um “check” para me sentir melhor por motivos que só eu podia cuidar.

As alianças representam o amor único que eu e Marcio temos, e isso não se abalou. Muito pelo contrário, só me faz querer ser melhor a cada dia e só se fortalece. Não havia razão para eu deixar aquela onda de tristeza invadir meu coração.

Então o que fica de lição aqui? Que talvez você olhando para dentro solucione uma porção de problemas que deixam seus dias mais cinzas e difíceis e que podem ser apenas uma nuvem fácil de afastar com um sopro na direção certa!

Bjs, Marcela Paim