Lifestyle 12abr

Vamos falar sobre bullying?

Postado por Marcela Paim

No final de semana, terminei de assistir a série do Netflix “13 reasons Why” e pensei ” Precisamos falar sobre bullying .” Liguei a câmera e fiquei 1 hora sentada no chão falando com ela (ou com vocês). Deixei os pensamentos irem e virem, as memórias aparecerem e quando vi, estava claro para mim que muitas (muitas mesmo!) coisas que aconteceram comigo e com pessoas próximas de mim na infância, adolescência e vida adulta, poderiam ser consideradas casos de bullying.

A série aborda a história de Hannah Baker, uma garota que cometeu suicídio duas semanas antes e deixou 13 fitas cassetes com os porquês de ter cometido suicídio. Cada fita, mostra fatos que aconteceram entre ela e membros da escola e revelam quem e como contribuíram  para esse trágico acontecimento.

Mais do que isso, e o que me chamou realmente atenção, é como os temas são atuais, as situações recorrentes e eu fiquei o tempo todo com uma sensação de déjà vu.

Lembrei de um colega de classe na escola que se matou – foi meu primeiro contato com a morte; Lembrei dos inúmeros apelidos; Dos grupos dos nerds e dos populares; Das meninas de 12 anos bêbadas e fumando para serem aceitas; Lembrei do amigo negro que dizia precisar se arrumar mais que os outros, porque senão os porteiros não deixavam ele entrar nos prédios para visitar os amigos; Lembrei das vezes que fiz chapinha no cabelo ou passava gel para alisar; Dos amigos homossexuais que não “podiam” ser eles mesmos; Dos inúmeros rótulos que envolveram várias pessoas e momentos da vida; Lembrei de como eu e uma amiga colocávamos moletom largo para esconder o peito, quando começamos a desenvolver o corpo; Quando me perguntaram porque eu era marrom , se essa cor era tão feia; Quando “cor de pele “era a cor bege do lápis de cor; Lembrei de uma época que uma amiga me fez uma armadilha na escola, porque eu era diferente; Lembrei das vezes que falamos sobre auto-estima; Dos grupos que me permitem falar sobre isso hoje; Do Noivas na Medida que me permite levantar essa bandeira e colocar o tema para discussão; e de tantos outros fatos.

Não chorei, mas entrei em contato com uma série de emoções que me esclareceram um pouco sobre como me vejo hoje e a importância de me lembrar todo dia o meu valor.

Me deu saudade de uma determinada inocência que eu não tenho mais, mas agradeci por ser esclarecida com o assunto e poder sinalizar quando ocorre perto de mim ou comigo.

Lembrei do caso de assédio que aconteceu recentemente e do movimento tão belo das mulheres , e achei que de alguma forma essa discussão não pode morrer. Porque quanto mais falamos sobre tudo isso, por mais difícil que seja, de repente estamos libertando alguém que está com dificuldade de desenvolver o amor próprio ou acha que está em alguma luta sozinha.

Quanto mais a gente trás esses temas para a roda, mais se reflete, se aprende e se cresce com isso. Então não passe por nada disso só, peça ajuda, converse, escreva e valorize a pessoa preciosa que você é.

No mais, assista ao video e me fala o que você achou sobre esse tema e minhas reflexões…quero muito poder conversar com vocês sobre isso, mesmo que a gente pense diferente sobre alguma parte disso tudo!

Bjs, Marcela Paim